Respeite o tempo. Possivelmente eu mudei de opinião.

domingo, agosto 21, 2011

A morte de Sophia.

“Deixe-me lhe contar algo, Sophia: Todas as vezes que, meu velho pai, dissera que aquela mulher não era para mim, eu pensava lá no fundo que ele era um homem magoado com o amor. Que nunca soube admitir a perda da amada. E que foi enganado. – Mas depois que a minha mulher me deixou, que um ano se passou, e que em meu aniversário não recebi nenhuma carta... Eu soube: Quando uma pessoa fala que lhe ama e lhe trai, ela não o ama. Ela não ama nem a si mesma. Pois ela não tem medo de lhe perder, não tem medo de sofrer, – para ela tanto faz.”

Eram dois apaixonados por um mundo que não nos pertencia. Aquele amor cheio de doçura era incrivelmente descrito nas palavras de Sophia. Ela dominava a palavra “nós” tanto quanto dominava o sorriso do amado. Tinha nela um perfume de encanto e nele uma energia de se tornar alguém. – Eram únicos. – Eram dois apaixonados. E que outro amor poderia ser igual ao deles?
Nenhum. Pois todo amor é um amor só. Nada, nem os erros de outras pessoas, poderiam ser iguais aos deles. A história era somente deles. A vida era somente deles. Tudo dependia somente dos dois. E o erro de Caetano foi achar que o seu futuro com Sophia seria igual ao seu passado.
Demasiadamente ciumento e ainda com a pouca seriedade de criança, Caetano era só um rapaz. Enquanto Sophia, ao longo de seus vinte anos, já era uma mulher. Pois as moças amadurecem tão cedo, e os rapazes pendem tanto para virarem homens, não é mesmo? – Tendo a mesma idade de Sophia, Caetano era mais jovem. E se fosse dez anos mais velho que ela, continuaria sendo mais jovem. Mulheres são mentalmente dez anos adiantadas.
Às vezes eu acho que foi Deus pregando alguma travessura na vida de Caetano para que ele aprendesse. Outras vezes, acho que foi Deus livrando Sophia de um mal que não teria volta. Ou, sei lá, fosse apenas destino.
Sophia doaria sua vida por Caetano, e Caetano talvez fizesse muito por ela. Mas ainda pensara na ex-namorada como a mulher de sua vida. A ex-namorada que o traiu e o deixou, e que ele nem ao menos teve a decência de falar sobre à Sophia. Os homens têm este problema: não saber admitir aquilo que dói. Às vezes, a verdade dita já de inicio, poupa-nos muitas mentiras.
Mas quem sabe o amor que ele dedicara a Sophia fosse uma mentira... Quem sabe, Sophia, estivesse ali apenas para fazê-lo esquecer. O problema é justamente este, não é? Nós nos achamos especiais na vida de quem amamos, mas quem nos garante que não estamos servindo apenas para tapar buracos?
E quantos buracos o coração de Caetano tinha! Ele sofrera algo desde a infância. Algo que não era tão real, não foi nenhum acidente e nenhuma morte.  – Caetano sofrera de solidão. – Ele tinha pai, mãe, e irmãos que o amavam. Tinha amigos. Mas era "só". – Entendam que, a solidão causada pelo destino é suportável. Mas a solidão que vem de nós é um vazio que se carrega. – Há pessoas que nascem para serem "só". Nascem para afastar quem os ama delas. Há pessoas que, simplesmente, não conseguem amar. Pois são sozinhas. Daí quando amam, amam errado. Fazem errado. Perdem outra vez.
Às vezes, acho que Caetano sente falta de Sophia. Acho que ele chora e lembra de suas palavras de esperança quando algo dá errado em sua vida, e então sente saudade. Mas nada a trará de volta. O coração pode sofrer várias batidas, acontecerem rachaduras, e ele resistir. Mas quando o coração se quebra, ele se perde, ele se vai embora... E mesmo que ainda restem alguns cacos com o nome do amado, o coração de Sophia nunca voltará a bater por ele.
Porque Caetano tinha todos os motivos para ter raiva e querer ser livre. Ele só não tinha motivos para magoar Sophia. Porque foram vinte e oito meses de doçura e três meses de guerra. Três meses que acabaram com aquilo que poderia ser uma vida. Três meses que desmentiram os vinte e oito.
O que me faz crer que a magia está somente nos livros. O que me faz amar somente as palavras. E, momentaneamente, me faz guardá-las somente para mim. Chega um ponto em que você desiste de tentar convencer as pessoas de que tudo irá dar certo, pois você mesma sabe que nem tudo irá. Que todos devem sofrer e que talvez esta seja a hora. E que sofrer não significa desistir, mas ninguém sabe consolar a dor. A dor não se consola, apenas se conforta.
Eu queria poder secar as lágrimas de Sophia no dia em que Caetano a deixou. Ela acreditara que aqueles três meses de traições e humilhações eram temporários e logo o Caetano que ela conhecera voltaria. Pois não eram, pequena Sophia. Aqueles três meses eram os meses de revelações. Ali, Caetano mostraria ser o grande amor de sua vida ou não. Pois quem jura amor, jura: “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte os separe”. Mesmo que seja por culpa, quem ama não foge em meio a tristeza. Quem ama não vai embora. Não desaparece. Aquilo que é verdadeiro permanece,  – mesmo doendo.
Sophia, eu queria poder lhe dizer que Caetano chorou frente ao teu caixão, mas que as lágrimas eram de culpa. A morte não foi o teu descanso. Morrer de amor não irá te livrar do sofrimento. Depois daqui, o acerto de contas é com Deus. E ele não irá te perdoar por quebrar o juramento. Você também jurou “Na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até a morte os separe”. O juramento ali não foi com o teu amado, foi com Deus.  –  Por que tu abandonaste Deus?

*  *  *

O casamento não é brincadeira. Ali, você oficializa um juramento com Deus. Ao jurar "na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, até que a morte nos separe" você estará jurando isto para Deus. Se a outra pessoa quebrar o juramento, não significa que você deverá fazer o mesmo. Repito: Casamento não é brincadeira. – Você só vive uma vez. Tarde demais só depois da morte. Não seja Caetano. Você ainda pode pedir desculpas.

domingo, agosto 07, 2011

Já dizia o profeta.

GENTILEZA
Anos 90.
Marisa Monte

Apagaram tudo.
Pintaram tudo de cinza.
A palavra no muro,
Ficou coberta de tinta.

Apagaram tudo.
Pintaram tudo de cinza.
Só ficou no muro,
Tristeza e tinta fresca.

Nós que passamos apressados,
Pelas ruas da cidade.
Merecemos ler as letras,
E as palavras de Gentileza.

Por isso eu pergunto,
À você no mundo.
Se é mais inteligente,
O livro ou a sabedoria?

O mundo é uma escola.
A vida é o circo.
Amor, palavra que liberta.
Já dizia o Profeta.


"Gentileza gera gentileza." (José Datrino, mais conhecido como profeta Gentileza).
Gentileza foi homenageado na música pelo compositor Gonzaguinha, nos anos 1980; e também pela cantora Marisa Monte, nos anos 1990. As duas canções levam o nome Gentileza.

ALL YOU NEED IS.

Quando se deixa de amar, vai-se perdendo a pureza. Mas quando é que se deixa de amar? Quando os sonhos se vão, a memória não traz, os ouvidos não pedem, a pele não arrepia saudade, a comida salgada não tem gosto doce, a pimenta começa a arder, o verão é apenas uma estação e o inverno rima com tristeza. Deixa-se de amar quando a alma fica tranqüila, exageradamente tranqüila. Vazia.
O amor é isso. É enriquecimento. O ser-humano pode se negar muitas vezes, mas é pelo amor que ele vive. É por este preenchimento interno de carinho, atenção, bondade, esperança. O amor é que nos faz sonhar, nos faz criar planos, nos faz enxergar as coisas mais belas do que elas são. O amor é poesia. É coragem, lealdade, mãos fechadas, olhos atentos, suspiros, lembranças... Amor é fundamental.
Todos vivem pelo amor da mãe, do pai, do irmão, do amigo, da namorada. É assim: amor. Eu quero amor! – Quem nunca sentiu-se desamado quando a mãe lhe abandonou por alguns minutos enquanto criança? Quem nunca sentiu-se sem amor quando o namorado traiu? Quem nunca pensou o amor não existir quando decepção?
Porque o amor nos causa orgulho. Orgulho de nós mesmos. “Eu me orgulho porque sou amado”. E qualquer gesto inocente fere este orgulho, dói, machuca e mata. Mas o amor é renovação. É uma nova chance. Não tem egoísmos e há perdão, mesmo que tardio.
Percebam que, ao andar pela rua e esbarrar num estranho, logo nos desculpamos. Mas em casa, ao esbarrar de leve na esposa, o marido raramente se desculpa. Porque o amor também causa costumes. E é este o erro: nos acostumar. Nos acostumar com o pouco, com o estranho, com a dor, com a quietude, com não se fazer nada. Nos acostumar com o erro.
Amor também é aprender. Amor também é gentileza. É aquele casal que está casado há 80 anos e, o segredo disto é, sentar todas as noites e pedir “Me perdoa?”. É sentar todas as noites e dizer: “Obrigada”. – Me perdoa mesmo que eu não tenha errado, e obrigada por continuar aqui.
O amor é um mistério, embora haja milhões de definições. Pois eu amo de uma maneira, e tu amas de outra. Cada um sabe sentir de um jeito diferente este tal “amor”. Ele pode nascer numa troca de olhares ou logo que saímos da barriga da mamãe. Ele pode ser pela pessoa da sua vida ou por sua família. Ele pode acontecer por várias pessoas ou por apenas aquelas pessoas. O importante é que ele exista.
– "Mesmo que ele tenha me deixado, eu ainda tenho o amor de meus pais, amigos e irmão. E isto não muda a minha vontade de amar". O amor me habita. Ele me encontrou. Fez de meu corpo a sua casa. Faz de mim uma pessoa melhor. Me faz querer crescer e provar que este amor é real. Ele me sufoca, às vezes. Mas eu o reinvento. E então, quando noto, já me habita de outra forma.
O amor me faz mais bonita. Traz vontade de olhar-me no espelho e vestir aquela roupa nova com sapatos que combinam. – O amor é entusiasmo. É uma força que empurra a gente. São pernas mais velozes, são sentidos mais agudos. O amor é uma raiva, um fervor, um desejo maior que brota dentro de nós e diz: “Vai!”.
Porque a vida, sem amor, não é vida. É apenas uma passagem... O amor são gotinhas que caem da chuva e molham nosso rosto quando o calor é insuportável. É um refresco. Um consolo. É a esposa esperando o marido ao final do dia cheia de amor para dar, para esquecer os problemas, para falar sobre isto e achar uma solução.
O amor é colo, ombro, mãos que secam as lágrimas.
E, se um dia, por ventura, desacreditar neste amor... Lembre-se de que ele é como a chuva que, não poderia cair em todos os momentos, pois assim não haveria sol. – E nós também precisamos do sol. – É como o vento que não se pode ver, apenas sentir. É como a Bíblia que guardamos na primeira gaveta: não a lemos sempre, mas ela está ali.


O amor está ali, aqui, em todos os lugares.
Acredite!

E, a Bíblia, é o livro que não se pode deixar de ler. Não é mesmo? Há tantas palavras belas e ricas no Livro Sagrado... Ah! O amor!

domingo, julho 31, 2011

M.

Por este meu sentimento.

ALL MY LOVING
The Beatles, 1963.
Composição: Lennon e McCartney.

Close your eyes and I'll kiss you.
Tomorrow I'll miss you.
Remember: I'll always be true.
And then while I'm away.
I'll write home everyday,
And I'll send all my loving to you.

I'll pretend that I'm kissing,
The lips I am missing.
And hope that my dreams will come true...

And then while I'm away,
I'll write home everyday.
And I'll send all my loving to you.

All my loving I will send to you.
All my loving, darling, I'll be true.




Anota: Tomorrow I'll miss you.

ONE DAY.

Cada parte do meu corpo é teu como sempre foi. E é fácil sentir-me assim estando ao teu lado, sentindo teu cheiro, provando teu gosto, vivendo a tua forma, tua física e química. – Eu não quero saber se amanhã nada disso fará sentido. – Eu só quero aproveitar este sentimento tranqüilo que deixou em mim hoje. Este teu olhar de esperança, de moleque travesso, de criança tímida. Esta tua vinda sem aviso, este quarto bagunçado, este banco de trás do carro e os vidros embaçados. Quero deitar a cabeça em teu colo, falar bobeiras, rir das minhas próprias piadas. Quero receber o teu carinho e poder devolvê-lo por puro afeto. Quero escutar as tuas músicas e deixar me levar por este ritmo estranho enquanto lhe beijo e lhe tenho dentro de mim. Quero sentir que a vida ainda é bela e será sempre assim, desde que eu acredite.
Amanhã, – tu te vais embora... E eu vou esquecer-lhe o nome outra vez. Vou seguir a minha vida, fazer meus planos, correr atrás dos meus sonhos e continuar insistindo mesmo que tudo dê errado. Amanhã, – tu te encontras com ela, abraça-a, dá o teu amor que agora é dela, e vive a vida por aí, faz a vida por aí, enche-te de vida por aí...
Pois não importa. Não me importa o que vem. O amanhã ainda não existe. Só quero me esbaldar no que eu sinto agora e, nesta hora, neste momento, nesta vontade efêmera de lhe ter aqui ao meu lado durante o “sempre”. Agora!
Eu lhe quero agora!
Vou lhe implorar mais um dia. Pedir para que tu fiques, para que tu voltes, para que tu não me esqueças e nem a traga contigo numa próxima vez. Mas só vou pedir isto. Vou evitar contato, vou manter-me em silêncio, vou fingir que nunca fizestes parte da minha vida e acreditar que assim será melhor. Pois será melhor. Porque não é amor. Não. Não é amor.
É saudade. É busca. É união. É parceria. É afeto. É amizade. São duas crianças brincando de viver, brincando de amar, brincando de poderia ser. Poderia ser amor, mas não é. É passado que ainda se vive. São vontades que a gente manda pra fora. São sentimentos que se exteriorizam no desejo das nossas peles. É aquele beijo acompanhado de abraço carinhoso. É uma forma nossa de ser.
De ser sonho. E de assim poder me deixar sonhar, só por hoje, que eu irei lhe encontrar outro dia, irei viver mais perto, irei lhe ter de volta, irei construir minha vida e, então sim, poder ser amor.
E poder transbordar este amor como se ele tivesse sido premeditado por vontades supremas. Como se ele fosse acontecer, aqui, ali, hoje ou amanhã; Fosse existir apenas. Estivesse escrito. Era pra ser.
Pois serás sempre o cara de vinte e dois anos, que eu conheci, me encantei e disse: “Quem sabe, talvez, poderia... seja ele”. – Tomara.
É claro que não sou a mesma pessoa de anos atrás. É claro que tu também mudaste. É claro que não é o mesmo sentimento. Mas, é claro, eu estarei sempre disposta à inventar novas formas de amor com você. – Meu beija-flor, tu já podes voar.

Que cada minuto da tua vida seja tão belo quanto o sorriso que tu deixaste em mim.

I just wanted one more day with you.
Can not, – see you soon.

terça-feira, julho 19, 2011

E.

TODO O SENTIMENTO
Chico Buarque
Composição: Chico Buarque e C. Bastos.

Preciso não dormir,
Até se consumar.
O tempo da gente.
Preciso conduzir,
Um tempo de te amar.
Te amando devagar e urgentemente.

Pretendo descobrir,
No último momento.
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento.
E bota no corpo uma outra vez...

Prometo te querer,
Até o amor cair.
Doente, doente...
Prefiro, então, partir.
A tempo de poder,
A gente se desvencilhar da gente.

Depois de te perder,
Te encontro, com certeza.
Talvez num tempo da delicadeza.
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei,
Como encantado ao lado teu.

Caneta em mãos.

A comida daqui lembra-me a de um hospital. As cores das paredes lembram-me o inferno. O cheiro desse lugar lembra-me amor.

Sexo é a coisa mais natural que existe. Vivemos nesse “não me toque”, porque nossos pais queriam nos proteger do grande erro da vida deles: ser pais. Ser pai e mãe cedo demais é um erro maior do que não escapar disto. A responsabilidade de outro ser em tuas mãos é quase fatal. É como ter a receita do bolo, fazer o bolo, e queimá-lo no final. Ninguém quer criar errado um filho. Ninguém quer colocar outra pessoa no mundo que vá sofrer, ou que faça sofrer. Ninguém quer errar. Ninguém quer ser humano. Todos querem ser Deus.
Sexo é bonito. A sacanagem que rola por aí é que feia. Sacanagem antigamente era arte, e ainda é para aqueles que sabem ver. Mas, hoje, é fruto de piadas. Somos todos moleques na puberdade que acham graça, têm medo, e fazem piada sobre sexo. Parecemos virgens. – Não temos mais olhos de beleza. Não queremos mais amor.
Mas isto é a maioria, e eu quero falar de nós. Eu quero amor. Eu sinto olhando em teus olhos que tu queres também. Eu quero tanto amor que estou neste projeto de purgatório por ti. Quando lhe conheci, achei que tu não fosses aquele que deixa as cuecas jogadas pelo chão do quarto. Mas és. Aqui, sentada em tua cama, enxergo os fatos.
Eu já posso dizer que lhe amo. Meu coração não se prende mais ao que amava. As dores foram curadas, as feridas viraram cicatrizes. E o meu amor é teu.
Cubra-me de amor todos os dias e não me deixe enjoar dos teus olhos. Fala-me das canções erradas e deixe-me cantá-las mesmo assim. O amor é isto: aceitar.
É uma troca de carinhos, são pernas sobre pernas, é suor, é doçura, é beleza. O amor é – a minha memória que lhe trás todos os dias.
A lealdade do amor é mais forte que a traição do desejo. Deixe-me quieta, respeite-me, e não me importarei com o resto. Não me humilhe. Não me deixe saber. E eu nunca lhe cobrarei fidelidade.
Eu devo lhe amar não pela falta que me faz, mas pela presença que me completa. Devo lhe amar não pelo tom da voz, mas pelos ouvidos que não se calam. Devo lhe amar não pelo sol que o teu sorriso abre, mas por abrir o mesmo em mim.
Há muito tempo que fiz os cálculos errados. Que achei que a dor fosse sinônimo do amor. E que os obstáculos eram bonitos.
Bonita é a entrega. É a maneira com que me olhas, com que toca a minha pele, com que fala o meu nome, com que sussurra segredos em meu ouvido. – Bonito é estar toda boba, aqui, escrevendo sobre a tua forma.
Quanto amor! Quanta doçura! Quanto tesão! Quanta vida! Ah! Vida! Vida! Vida! – Amor...
Tu também sentias falta de amar? Pois bem. Acho que eu sentia esta falta e mal fazia idéia disto. Acho que me perdi por anos, até poder lhe encontrar. Acho que eu fui caule, e agora sou raiz.
Após um tempo se descobre, que se vive a vida inteira sonhando. Lutamos, trabalhamos, nos enchemos de lúxuria. E, no final, só queríamos amor.
Faça este amor em mim. Faça eu pedir a morte, porque vivi o que todos deveriam viver. Faça-me amar até perder a vida, mas sem perder o encanto.
Pois se for para lembrar de algo, quero lembrar do teu nome.

Addic'tion.

A verdade é que nós não podemos deixar que nada em nossa vida se torne um vício. “Vício” já é uma palavra assustadora; Retire a letra “o” e acrescente as letras “ado”, e então você terá o medo em suas mãos. Pense: “eu sou viciado em televisão, eu sou viciado em leitura, eu sou viciado em cigarro, eu sou viciado em pizza, eu sou viciado em jogos, eu sou viciado em refrigerante, eu sou viciado em álcool, eu sou viciado em sexo”, – horrível, não é mesmo? A palavra “viciado” lhe tira poderes. Quer dizer que o vício manda em você? Qualquer coisa torna-se maior que o poder da sua mente. Você é escravo daquilo que deveria ser apenas um gosto, um hobby, ou uma mania. Você não é mais você, você é aquilo que o vício lhe torna.
É quase uma rotina, vive-se aquilo todos os dias. Mas não misturemos o pato com a galinha. O “vício” e a “rotina” são palavras com significados diferentes: Rotina, é aquilo que aos poucos se acomoda em sua vida. Vício, é aquilo que você não pode viver sem. – Um vício pode ser uma rotina, uma rotina não pode ser um vício.
Todo ser humano tem um vício que, Por si só, já algo ruim. Pois imagine ter vários vícios dentro de você.
Até que ponto aquilo é mais forte que você? Até que ponto seu corpo vai agüentar este vício? – Eu não falo das tuas besteiras. Não é a moda que todos usam. Não é aquilo que as pessoas acham bonito dizer que não vivem sem. Eu falo do “vício” real. Da obsessão, da dor sentida, da psicose. De ser viciado.
Aquilo que dói quando falta. Que fere na ausência. Que faz seu corpo ferver de vontade. – Que os olhos não seguram. Que o nariz sente o cheiro. Que a boca pede. – Eu falo da doença.
O vício é uma doença. A doença é um vício.
O ser humano pede dor. Ele não se controla. Ele quer se tornar o que o mundo quer vender. – Você pode ser o rei, mas terá que enfrentar as enfermidades. – A solidão é a conseqüência.
Um vício não é só você quem sente. As pessoas ao seu lado, sentem também. Elas se incomodam, elas tentam lhe ajudar, elas se decepcionam, elas deixam você. – Tome cuidado.

Tudo que tende para o extremo, tende para a queda.
Controle-se.

No one can be alone, without feeling pain.

segunda-feira, julho 11, 2011

E.

AS ROSAS NÃO FALAM
Composição: Cartola.
(1976)

Bate outra vez.
Com esperanças o meu coração.
Pois já vai terminando o verão,
Enfim.

Volto ao jardim,
Com a certeza que devo chorar.
Pois bem sei que não queres voltar,
Para mim.

Queixo-me às rosas,
Mas que bobagem!
As rosas não falam.
Simplesmente as rosas exalam,
O perfume que roubam de ti. Ai!

Devias vir...
Para ver os meus olhos tristonhos.
E, quem sabe, sonhavas meus sonhos.
Por fim.

Que fosse amor.

Escrito em
21 de Janeiro de 2011.



Não sei ao certo o que me leva à esta indecisão. Eu devo estar naquela etapa do caminho em que depois de cair em muitos buracos, sofro algum certo medo de continuar andando. Só não consigo me sentir parada. – Então, às vezes, penso que isto é fruto do meu esquecimento. É nessas horas que não lhe quero mais.

Lhe amo. Tenho certeza disso todas as vezes que olho em teus olhos.  – Não sei o que acontece... Acredito neste amor. Mas me é dilacerante ter estas paranóias dentro de mim. Sinto-me para baixo. Eu não lhe amo mais com a felicidade de meu corpo, eu lhe amo com a tristeza. A dor, a raiva, o ódio e a mágoa, agora lhe querem. E eu não consigo mentir. Estar ao teu lado faz meu coração viver. Mas já não é a vida que ele sentia antes... O medo prende-o. Não o deixa bater desesperadamente, quase perdendo o ar, – como um dia já ousou bater.
Agora são apenas batidas. Como as batidas do relógio: leves e em sincronia. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. Tic Tac. – “Menina, eu lhe amo”. Tac. Tac. Ta-tac. Ta-ta-tac. Tac. Tic. – Eu também.
Eu sei que qualquer dia desses, tu irás me deixar. É doloroso. E inútil que eu tente prendê-lo. – É sufocante saber que eu irei perder aquilo que nunca foi meu. – Tu sabes com o que eu sonhei por todas as noites? Sonhei em lhe amar. Em lhe dar as mãos, trocar denguinhos, beijinhos, carinhos e dizer para o mundo: – Sim, é ele que me faz feliz.
Pois não posso. Eu não passo de qualquer coisa para ti. Eu sinto-me um objeto que às vezes atrapalha a tua vida. E dói-me saber que sou um fardo para aquilo que mais amo. – Eu sei que há algumas confusões presas em teu coração. E, aos poucos, eu descobri que eu não queria saber como elas são e nem por quem são, ou como são. Eu descobri que todo o seu mistério me assusta e me faz mal. Que todas as surpresas me deixam sem voz e que gritar não parece a solução. Eu compreendi que eu sou apenas mais uma em tua vida. Que todas as noites tu ligas para a outra. E que se não ligares, pensarás nela. – Entendi que é o mesmo teatro: uma música, palavras bonitas, sexo, eu te amo, e só se trocam os nomes. Tudo igual. Com todas que tu precisas conquistar.
No começo, eu achei que eu pudesse lidar com isto. Achava-me mais forte e descobri a minha fraqueza. Tu não passavas de qualquer menino que eu fingiria gostar de estar ao lado. As falcatruas não me importavam. Eu não queria saber de ti. – Tu eras apenas mais um.
Mas em alguma encruzilhada, eu tomei a estrada errada. Apaixonei-me. Despi-me de todo o medo e entreguei-me como se tu fosses o único que eu pudesse amar. E lhe amei.
Perdoa.
Eu queria que fosse verdadeiro.

I promise to look at the stars every night. While I'm alive. Every day of my life.

* * *

Cita-se:

“Se nunca nos vermos de novo, e você estiver por aí andando e sentir uma certa presença do seu lado. Isso vai ser eu, te amando, onde quer que eu esteja”. 
(My Sassy Girl)