Respeite o tempo. Possivelmente eu mudei de opinião.

segunda-feira, setembro 12, 2011

A.

"O conselho para quem tem dois amores é: continua, e vai dar tudo errado. O destino vai lhe apresentando escolhas e se tu deixas de fazê-las, a vida as faz por ti. E no amor é assim: se tu não tens apenas um, ficas sem nenhum. – Os castelos de areia que as crianças constroem, o vento trata de derrubar. Ou, às vezes, é aquele adulto estranho e rabugento que vem do nada e pisa na tua fabulosa criação. Hora de crescer! Tomar decisões difíceis é a prova de que tu estás amadurecendo. – Assim como o café, o amor também pode esfriar. Tu, por acaso, tentas colocar gelo na bebida?
Moço, tu tens que escolher. Porque tu já conheces esta história. Tu te atrapalhas, foge do que sentes, vai para lá, volta para cá. E, no final, tu ficas sem nenhuma delas. – Eu já não agüento mais ter que lhe acalmar enquanto choras a falta de alguém que se foi pelos abismos que tu constrói. 

– Outra xícara de café? 
– Aceito. Bem quente, por favor."

[A.M.D.M.]

And set your heart to fly.


[...] Sei apenas que não posso ficar parada. Que eu vou abrindo meu coração por aí... Qualquer hora ele encontra os afetos de quem se dá por ele. E eu me darei inteira por aqueles afetos. Dali, será amor real. Não somente amor. “Amor-real”. Duas palavras diferentes e que juntas podem causar um estrago enorme em nossas vidas.

– Meu coração está aberto, menino. Agora mais do que nunca."

sexta-feira, setembro 09, 2011

À.

“Trate-a bem, moço. Se ela gosta de ti, – trate-a bem. Não fique aí com esse vai não vai, quero mas não posso, não fomos feitos um pr’outro. Não. Se os dois se gostam; dá a tua cara à tapas, assume este sentimento, peça ela em namoro. Esta coisa do Somos Proibidos é mentira. Tudo acontece se tu quiseres. Se queres ela, assume ela, cuida dela, trate-a bem. – Daí, se não, o mundo dá suas voltas e tu ficas sem ela. Quer ver?
(...) As menininhas crescem, moço. Elas mudam. Elas criam mentes terrivelmente charmosas e perigosas. Numa dessas vós te perdes, ela vos mata, e irão lhe chamar de tolo por aí... Já lhe disse que há muitos Don Juan espalhados pelos confins. Tão e quanto charmosos como ti. – Menininhas não cuidadas só precisam achar um desses. – E quando acham...
Bem, moço. Quando acham, elas dão.”

(A.M.D.M.)

Confissões de um alistado.

Chegou aterrorizado e com a roupa ensangüentada. Nossa primeira reação foi levá-lo à maca e chamar o médico. Enquanto o doutor não chegara, tratamos de acalmá-lo e limpar os ferimentos. Foi quando O Homem entrara gritando aquele idioma que eu não conhecera. Do tempo que estive ali eu pude reconhecer algumas palavras: “Vagabundo, vagabundo. Ela era a minha esposa. A nove...”. A ferocidade, o ódio e aquele nervosismo me comoveram por um momento. Como todos que estavam ali, meus olhos se prenderam no homem que chegara gritando, e me esqueci completamente do homem que chegara machucado. Por alguns minutos, pensei em ir até o homem furioso e tentar acalmá-lo, mas a curiosidade de saber o que estava acontecendo falou mais alto, e contive-me parada escutando seus lamentos. Quase em vão eu traduzira suas palavras ligeiras. Quando, de repente, algo atravessou seu corpo cortando seu estomago. O homem parou a gritaria imediatamente, colocou a mão sobre o estomago, e inclinou o corpo para trás como se lhe faltasse ar. Virei-me para trás num pulo e enquanto virava percebi que aqueles que estavam ao meu lado, faziam a mesma coisa. Na maca, um lençol ensangüentado pendurado no suporte do soro. “Estamos sofrendo um ataque”, escutei. Corremos até o lençol que levara forma de gente; O primeiro que lá chegara e tirara o lençol, percebeu que haviam nos enganado. Não haveria mais nada ali. O homem que chegara machucado não estava mais ali. Quando voltei-me novamente para o homem furioso que tivera o estomago atingido por algo, o homem machucado o segurava com uma mão e o cortava com outra. Cortava-o com o nosso bisturi. O cortara inteiro. Cabeça, pescoço, estomago, braços, pernas, órgãos genitais... O bisturi na mão daquele homem já havia feito um estrago. Ninguém se mexera. Todos olhavam com olhos assustados àquela cena. Ninguém chegaria perto daquele homem armado, pois todos ali guardariam suas vidas. Enquanto isto, o homem que chegara gritando, fora atingido por algo no estomago, e era cortado por um bisturi; gritara e gemia seus últimos segundos de vida. Até que caiu ao chão.
Esgotado, ao terminar o trabalho, o homem que chegara machucado ainda cortara o nariz do que chegara gritando para ter certeza de sua morte. Então, sentou-se ao lado do corpo caído. Colocou a cabeça entre as pernas, e começou a chorar. Chorava feito criança. Chorava tanto que meus olhos seguiram suas lágrimas. Levantou a cabeça, nos olhou, tentou secar as lágrimas, mas elas pareciam mais rápidas. E começou a nos contar sua história.
“ – Eu era apaixonado por uma menina. Ela era linda. Pele morena, cabelos longos e encaracolados, extremamente religiosa. Cantava com sua voz de mulher as músicas mais belas desse país. E trazia fé com seus olhos enormes à todos que encontravam seu olhar. Sua família não tivera muito dinheiro, e assim, aceitou a oferta deste homem que acabo de cortar por inteiro. Já casado, com oito mulheres, pediu a menina em casamento. A família que passara fome, mesmo chorando, concordou e fez suas condições. Este homem que dissera querer casar com a menina, apenas para ajudar a família e pela voz encantadora que ela possuía, prometeu acatar todas as condições como leis de Allah. Mas não cumpriu suas promessas.
Eu era apaixonado por aquela menina. Que tinha apenas dez anos. Que não se tornara moça ainda, e só pedi que respeitasse e mantivesse os votos até que o sangue descesse à ela. Na noite de seu casamento, ele a teve. Uma menina de dez anos. – Eu era pai daquela menina.”
Minha boca entreaberta tremia a dor daquele homem. O tradutor perdera a voz na frase em que ele revelara ser pai da menina. Para nós, aquilo era tudo muito estranho. Casamentos arrumados, homens com mais de uma esposa, meninas que se casavam, unha por unha dente por dente, justiça pelas próprias mãos. Sentei-me ao chão, enfraquecido, aquelas pessoas precisavam de mim e eu não soubera o que falar. O tradutor me acompanhou. E num momento de impulso, perguntou: “Sua filha morreu?”. E o homem assentando com a cabeça, respondeu: “– Para mim sim.”

Depois de transferirmos o corpo daquele homem para o necrotério improvisado. Nossa médica se ofereceu à examinar a menina. O pai, envergonhado, aceitou sabendo que era o melhor para a filha. Embora aquela cultura rígida, aquele país precário e a pobreza que aquele homem enfrentara, ele pareceu-me alguém sábio. A sabedoria talvez seja isto. Nada de livros, grandes viagens, ou muitas histórias. Sabedoria talvez seja experiências pequenas, entendimento e aceitação.
Quando a menina chegou, procurei manter-me por perto. Suas mãozinhas de criança gesticulavam as coisas que aquele homem morto havia feito com ela. Com oito esposas, ele fizera aquela menina descer a boca até seu órgão reprodutor e praticar sexo oral. Uma menina de dez anos que nem se tornara moça ainda. Ela colocara as mãos sobre a cama, virara de costas e dizia: “depois ele fazia assim por detrás”. – Cada palavra daquela menina e meu coração se tornara cada vez mais pequeno.
Então ela me olhara e dissera: “Não sinta pena de mim. Me odeie, mas não sinta pena. Pena é o pior sentimento que tu podes ter por outra pessoa”. Eu não soubera o que falar, e quando pensei em falar sobre Deus, ela interrompera: “Não odeio Allah. Nem O culpo por isto. Allah me fez passar por isto, porque me conhecera o bastante para saber que eu era forte para superar. Allah fez com que eu passasse por isso, porque Ele soubera que outra menina da minha idade não agüentaria. – Quero dizer, Ele nunca quis que eu passasse por isso, mas Ele não me abandonou. Me fortaleceu. E me enchera de fé”.
Então a menina cantara músicas sobre o seu Deus. Ela realmente tinha uma voz linda. E eu não soubera mais o que fazer com as minhas dores. Do nada, o meu sofrimento desapareceu. Eu me tornei uma pessoa vazia. Imersa em reflexões. – Eu não seria tão forte quanto esta menina. Eu não teria feito o que aquele pai fez por sua filha. – Desculpa se eu nunca soube reconhecer minha fraqueza e se eu estou deixando a minha vida passar. (...)

Preciso ligar para os meus pais, pensei. Mas lá não tivera telefone. (...) Escrevi uma carta durante a noite, depois me joguei na cama do dormitório. Afundei a cabeça no travesseiro e derramei lágrimas até que o sol nascesse. – Aquilo se tornara a minha vida, eu agora era alguém sozinho, distante de tudo. Eu não queria mais estar lá, mas eu não poderia deixar aquilo que precisara de mim. Eu tinha um caminho longo pela frente. Eu não quero ser apenas mais um ser humano por aqui, – e ninguém deveria querer.
Morrer me parece um desafio. Matar, aqui, não é mais uma questão de religião ou justiça. É sobreviver. 

quarta-feira, setembro 07, 2011

E.

ONE DAY
(At A Time)
John Lennon
Mind Games, 1973

You are my weakness, you are my strength.
Nothing I have in the world makes better sense.
Cause I'm the fish and you're the sea.
When we're together or when we're apart.
There's never a space in between the beat of our hearts.
Cause I'm the apple and you're the tree.

You are my woman, I am your man.
Nothing else matters at all, now I understand.
That I'm the door and you're the key.
And every morning I wake in your smile.
Feeling your breath on my face and the love in your eyes.
Cause you're the honey and I'm the bee.

One day at a time is all we do.
One day at a time is good for us two.

CHANGE.

Mudanças. – Bem, elas nem sempre são tirar os móveis do lugar. Há mudança de alma também.

Deus está sempre ali mostrando que quando eu menos esperar a vida irá me surpreender. Porque, bem, eu não sei se é Ele que constrói detalhe por detalhe de tudo que acontece em meus dias, mas eu sei que Ele me protege do mal e isto já me acalma.
Porque é ali, quando você não pretende mais nada, que aparece alguém e pimba! Bateu! E mesmo que não seja nada, é como se o pouco que foi ficasse em você. É como se aquele pequeno imprevisto do destino pudesse te fazer olhar a vida de outra maneira. E para isto não é preciso milhares de palavras ou muitos dias juntos, precisa-se apenas um olhar diferente e um ponto de vista, que lhe faça abrir os olhos.
Quando parei e pensei: “Tinha de ser esta pessoa?”. Pois ali seria a pessoa mais estranha ou mais impensada para dizer aquilo que precisei escutar. É quando eu sei que é Deus vindo de alguma maneira, conversar comigo, e dizer: “enxerga, para de ser cabeça dura, eu preciso que você vá por este caminho”.
E é assim que é. Eu acredito que Ele vem aparecendo nas pequenas coisas, em pessoas diferentes, me jogando frases e cantando um destino à mim. Quando estou cega demais, ele me faz bater com a cara no poste e lavar os olhos. – Então, aos poucos, eu me torno cada vez mais aquilo que eu serei. Que eu sou.
É claro que eu sinto falta de alguém ao meu lado, para dividir minha vida, para ganhar um abraço, para trocar carinhos. Mas conforme a vida foi-se indo, e o tempo foi passando... Eu descobri que eu gosto desta solidão. Mas, não, calma aí! Não é esta solidão escura e vazia. Eu gosto desta solidão tranquila, deste coração desocupado, deste caminho sem rumo, deste vento que vai me levar pra qualquer lugar. Eu gosto deste despropósito. E eu comecei a admirar a independência que eu quero e que caminho à ter. – Liberdade. Não acredito que ela exista, mas é assim que eu me sinto.
As pessoas poderão achar que eu estou ficando maluca. Mas quem eu engano? Elas já acham... Agora que está tudo caminho para dar certo, eu jogo tudo pro ar. – O que elas estavam esperando de mim? – Eu sempre fui estes desejos, estes quereres, esta rodovia calejada e vazia. O que acontece é que, hoje, eu sou muito mais.
Acontece que eu coloquei em prática tudo aquilo que eu escrevi e cuidei de usar cada tombo a meu favor. Cuidei de curar os machucados, mas enquanto curava, os estudei. E fiz da dor um aprendizado, do aprendizado um consolo, do consolo fiz conselhos, dos conselhos me reconstruí. Reconstruída, me tornei algo. – E eu não quero definir o que é. Só quero ser.
“Ser” o verbo que mais mexe comigo. Algum dia eu lhes contei que existem palavras que quando as escrevo é como se elas desvendassem minha vida? Palavras simples que levam algum sentimento. São códigos, metáforas, manias de Gabriella.
Vocês também têm isto de, quando ansiosos ficarem andando pela casa e falando sozinhos? Eu faço isto o tempo todo. Eu falo sozinha o tempo todo. Eu sonho o tempo todo. E eu escrevo dentro de mim o tempo todo. – Sem parar.
Eu posso não estar me mexendo, mas eu não estou parada. Estou apenas sentada vendo o movimento, e eu adoro vê-lo.
Eu já não me importo com o que as pessoas pensam. Eu conheço meus limites. Fiz minhas regras. E agora é tempo de fazer a minha vida.
Estou livre, mas cheia de amor. E agora tanto faz. Eu sei que a vida trata de me juntar à você.

Porque eu não seria metade do que eu sou sem você. Porque eu vivo de palavras, e você me trás elas, mesmo que sem querer. – Você é a minha história. – I just had to let it go.

segunda-feira, setembro 05, 2011

A.

IF I EVER FEEL BETTER
Phoenix
2001

They say an end can be a start.
Feels like I've been buried yet I'm still alive.
It's like a bad day that never ends.
I feel the chaos around me.

A thing I don't try to deny,
I'd better learn to accept that:
There are things in my life that I can't control.

They say love ain't nothing but a sore.
I don't even know what love is...
Too many tears have had to fall.
Don't you know? I'm so tired of it all.

I have known terror dizzy spells,
Finding out the secrets words won't tell.
Whatever it is it can't be named.
There's a part of my world that' s fading away...

You know I don't want to be clever,
To be brilliant or superior.
True like ice, true like fire.
Now I know that a breeze can blow me away...

Now I know there's much more dignity,
In defeat than in the brightest victory.
I'm losing my balance on the tight rope.
Tell me please, tell me please, tell me please.

Hang on to the good days.
I can lean on my friends.
They help me going through hard times.

But I'm feeding the enemy.
I'm in league with the foe.
Blame me for what's happening.
I can't try, I can't try, I can't try.

No one knows the hard times I went through.
If happiness came I miss the call.
The stormy days ain't over.
I've tried and lost know I think that I pay the cost.

Now I've watched all my castles fall.
They were made of dust, after all.
Someday all this mess will make me laugh.
I can't wait, I can't wait, I can't wait.

It's like somebody took my place.
I ain't even playing my own game...
The rules have changed well I didn't know.
There are things in my life I can't control...

I feel the chaos around me.
A thing I don't try to deny.
I'd better learn to accept that,
There's a part of my life that will go away.

Dark is the night, cold is the ground.
In the circular solitude of my heart.
As one who strives a hill to climb,
I am sure I'll come through I don't know how.

They say an end can be a start.
Feels like I've been buried yet I'm still alive.
I'm losing my balance on the tight rope.
Tell me please, tell me please, tell me please...

If I ever feel better,
Remind me to spend some good time with you.
You can give me your number.
When it's all over I'll let you know.

Quando sufoca, eu não posso manter-me quieta.

Tu já deves ter percebido todas as confusões de minhas palavras, – eu quero ser direta, mas não posso. Eu não sou a pessoa que tu achas que eu sou. Está doendo cada erro e cada mentira. Não existem pessoas perfeitas. Não sobrou-me muita coisa além de um mundo falso e egoísta. Eu sou ruim. Eu quero, em todos os momentos, ser melhor que você. E chegou a hora de admitir que você é uma boa pessoa. 
Eu te perdôo por cada deslize. E peço que não descubra os meus disfarces. – Eu não sei como implorar para que tu fiques ao meu lado. – Eu não sou gentil. Mas todas as noites eu rezo para que Ele possa lhe colocar no meu caminho. Todas as noites eu peço: “deixa eu fazê-lo feliz?”. Será que Ele irá atender minhas preces algum dia? 
Porque eu não posso pedir isto para você. Eu não posso competir com ela. Ela está ao seu lado, ela vai ganhar o seu amor, e eu – novamente – terei que aceitar que nossos destinos são paralelos. Mas como? É como se eu devesse apagar tudo da memória. E eu tento. Juro que tento jogar tudo fora. Juro que eu já queimei tudo o que eu poderia, mas persiste, insiste, ainda está aqui dentro de mim. 
Eu queria olhar em seus olhos e dizer: “ – não vai, fica, não me deixa outra vez”. Eu queria ser verdadeira e dizer: “ – eu tenho um sonho, meu sonho é ser, estar, permanecer e continuar com você”. Eu queria agir conforme eu sinto, mas eu faço conforme as pessoas dizem. Eu queria me entregar aos sonhos, mas eu me entrego conforme acho que você vai querer. – Você gosta mesmo de todas estas barreiras? 
Não pode ser mais real? Não pode ser mais limpo e verdadeiro? O problema sou eu? Eu tenho medo de lhe decepcionar. Eu tenho medo de dar um passo para frente, e você não estar de acordo. Eu tenho medo de ser humilhada, rejeitada, de me sentir uma pedra no seu sapato – outra vez. 
Eu me controlo, mas eu não quero me controlar. – Faz mesmo sentido todos estes limites? – O amor tem regras? Quem colocou regras no amor? Por que nós temos que nos esconder se o sol brilha lá fora? Por que não pode ser real, tão real como qualquer outro? – Não deve ser amor. 
Amor é quando perdemos o medo. É entrelaçar as mãos e esquecer do resto. Amor é sinônimo de entrega. E aquelas definições que nós causamos, só nos fazem mal. 
O que eu devo fazer? Eu não estou preparada para seguir sozinha. Todo mundo precisa de um alicerce. Todos nós temos momentos de fraqueza. Eu não quero rasgar os panos como se eu fosse única no mundo. Preciso de alguém que me ofereça um lenço mesmo que as lágrimas não caiam. – Ela só está tampando os seus buracos, como eu já os tampei um dia. 
Eu também sou esta garrafa vazia e com furos. Nunca estou cheia. Você não pode me encher de liquido, porque meus furos irão trapacear. Eu estou sempre vazando... Eu não sei o que acontece depois. 
Me explique por onde começar. Qual o começo? Como ter o seu amor por inteiro? Eu preciso ter. Você não entende. Não é tão fácil quanto parece. Eu não posso lhe implorar isto, porque já doeu uma vez. – Devo abrir o que eu sinto pra você. 
Enquanto ausente, eu conheci quem eu sou. Obrigada por ter ido embora. Mas não se vá outra vez... Eu sinto que ainda há muito sobre nós. Eu sei que não acabou. E eu não quero que acabe nunca. 
Deixa esta história do “para sempre não existe” ir embora. Eu quero construir um futuro ao seu lado. Esqueça que você não foi feito para mim. Duas peças do quebra-cabeça só se encaixam se elas forem diferentes. Nós não somos iguais. – Eu preciso de você aqui. 

Todas as vezes que você se sentir triste. Não importará o motivo. Poderá ser por uma briga com sua família, um problema no trabalho, a faculdade que vai mal, ou uma briga com ela... Não importa. Só prometa que vai me procurar. Não precisa contar o que aconteceu se não quiser. Só prometa: Vai me procurar. Vai me ligar, vai me escrever, vai vir até minha casa, e mesmo que eu não possa fazer nada, eu quero poder dizer que vai dar tudo certo

Prometa. 

A minha esperança não morreu. Eu olho para você e eu sei: você estará sempre comigo, dentro de mim.

sábado, setembro 03, 2011

G.

"É como a velha banda de rock. Não acredito que The Beatles eram caras politicamente corretos, mas cantavam sobre o amor. E quando apontavam seus erros, é o fato: Artista querendo gritar ao mundo que estão entendendo tudo errado. – Hora de morrer. (...) 
Antes da morte. A dica para sua sobrevivência: Não existe perfeição. Ninguém é perfeito. Se vais julgar o mundo por cada erro, morrerá de venenos. – Eu descobri por fim que, odeio pessoas que só sabem criticar. Que o diabo as carregue! Também odeio pessoas sérias demais... Desconfio do extremamente feliz e extremamente triste. Ninguém é perfeito, nem na dor. – Respeitem meu sétimo dia." 

 (A.M.D.M.)

sexta-feira, setembro 02, 2011

QUAL O SEU DESTINO?

Lá fora apenas o barulho do vento e o latir dos cães. Aqui dentro, luzes acesas e coração sereno. Acho que estou sonhando. – Pensei que esta noite seria cheia de tormentos que me fariam escrever coisas lindas. Não deu. Nada de saudades. – Estou só e imersa em calmarias. 
Alma calma é problema para quem escreve. – De certo, este é o motivo para o errado sempre me atrair. – A dor que consome é a dor que possui as palavras mais doces. Já o vazio, bem, o vazio me trás palavras sombrias, histórias estranhas, algumas fantasias e nenhum suspiro. – Ah! Como eu sinto falta de suspirar...
Suspirava todas as vezes que ele me cegara os olhos com suas mãos macias, e me fazia a pergunta tola: “adivinha quem é?”. Ora! Quem era? Era ele, senão ele, nenhum outro. Assim suspirava o coração e atritava todas as artérias... – cardíaca; eu era um ataque em todo beijo que ele me surpreendera. 
Suspirava também. Não! Eu perdera o fôlego todas as vezes que abriam-se as pernas e deleitava-me com seu corpo quente. Quando jogava-me contra a parede como se fosse me demolir. Ou quando falava-me ao ouvido que me queria e demonstrava sentir prazer com meus carinhos. 
Suspirava quando desenhava meu corpo com as mãos. Ah! Como eu adorava aquelas mãos percorrendo meu corpo e como me acalmava quando delicadamente parava a mão em minha cintura e cantava coisas lindas... 
Suspirava quando escutava sua respiração ofegante... Amava aquela respiração. Amava aquele jeito. Amava aquela voz. Amava aqueles olhos furiosos e brincalhões. Amava de tal forma que, às vezes, sei que nunca amarei outro igual. 
Poderei até amar mais, mas nunca como o amei. Não há como ser duas vezes a mesma tempestade em meu corpo. Não há como existir outra pessoa que provocará o pós-tempestade, com ou sem estragos, alguma magia e coração sem voz. 
"Pois tenho até medo de ler os parágrafos anteriores e sentir a pontinha dos dedos dos pés revirarem pelo desejo". Porque já não é saudade, é não ter mais, é não ser do mesmo jeito. É não me doar por inteiro como um dia já foi... É talvez perder o encanto. É amá-lo ainda, mas dar este amor para outros. Entende? Não. Não entende, porque é tudo invenção. 
Porque eu não posso mais dizer o que sinto. Porque agora sou apenas esta casa vazia e este tapete no chão. Eu sou o objeto esquecido no canto da sala. Eu tenho medo de continuar e não faço idéia de como se começa isto. Como seguir em frente? Como deixar pra lá? Eu juro que estou tentando. Juro que me orgulho de mim mesma, porque não fui aquela amiga que chorou o abandono do ex-namorado. Porque eu me preparei para a pior dor da minha vida, achei que fosse corroer por dentro, que fosse me matar. E realmente doeu, eu realmente morri, mas ressuscitei sei lá quantas vezes. E não fiquei chorando, resmungando, tratando o destino como se Ele fosse culpado pelo erro de quem amei. – Não. – Não fiz nada disso. Eu fui boa pessoa e continuei andando, só por andar, só por saber que eu teria um caminho longo pela frente. E mesmo sem saber qual era, mesmo sem ter feito alguma escolha, mesmo morrendo de medo que as pessoas me tratassem como apenas mais uma adolescente rebelde. Eu agi por mim. Eu fui aquilo que sou. Eu me tornei eu mesma. Sabe, eu não sou aquela jovem revoltada, porque quando os jovens se revoltam, eles precisam achar um motivo e precisam impressionar alguém. Eu não. Eu sou assim: – eu sou esse nada aqui mesmo. E mesmo que eu saiba que não devo me contentar com isto, – eu estou muito feliz, obrigada, por estar assim como estou. 
Porque eu não quero mais fazer parte do politicamente correto e nem dos outsiders marrentos. Eu quero ser eu. Só. Sem mais e sem amor. Não. Com amor. Com muito amor. Mas não amor por ele... Eu quero amor por mim, e por tudo que faço. Porque eu não fiz minha escolha ainda, mas eu sei que quando eu me decidir, seja lá o que for que eu decidir, eu vou fazer bem. Porque eu tenho fé em mim. 
E porque eu não tenho plano nenhum, mas eu sei o que eu quero: – viver. Eu vou viver. Forget the rules, I did my rules. Now it's me. 

E se algum dia ele puder fazer parte do meu viver, se algum dia ele puder enxergar a vida como eu a vejo, se algum dia for pra ser. Meu Deus! Eu volto a suspirar, volto a amar, volto a ser feliz e serei tão feliz que, que eu gritarei sinos de alegria. 

 Talvez, o meu destino seja amar [lo].