Respeite o tempo. Possivelmente eu mudei de opinião.

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

A.

‎"Nunca fui como todos.
Nunca tive muitos amigos.
Nunca fui favorita.
Nunca fui o que meus pais queriam.
Nunca tive alguém que amasse.
Mas tive somente a mim.
A minha absoluta verdade.
Meu verdadeiro pensamento.
O meu conforto nas horas de sofrimento,
não vivo sozinha porque gosto,
e sim porque aprendi a ser só..."

— Florbela Espanca

EU [AINDA] ACREDITO

Ainda que ele não saiba, a saudade é meu pior castigo. Não consigo odiá-lo e muito menos odiar o tempo que continuou e o tornou passado em minha vida. Dentro de mim há algo que insiste em sonhar com um reencontro. E, ao mesmo tempo, surge uma expectativa, talvez até uma cobrança de mim mesma para que eu possa superar e, como num passe de mágica, poder me encontrar em outros braços.
Saudade eu sinto ao lembrar quão era feliz o tempo em que eu vivera pelo amor e não por mim. Pois eu era maluca. Tinha sede de loucura e esquecera completamente qualquer regra sobre a conquista. Eu vivera os meus dias sonhando com uma vida simples e, acreditem, inteiramente bela. Eu fui sonhadora e menina apaixonada, e toda a minha tristeza eu soubera transformar em sorrisos. Fui doce e quis provar ao mundo quão eu poderia ser cruel e observadora, mas ainda assim, fui eu mesma.
Estou sentindo saudades de mim. Dos meus livros, minhas músicas, minha vidinha solitária e calma, onde eu tivera tempo para inventar lugares mágicos. Não sei exatamente há quanto tempo eu me perdi de mim, mas o medo de que isto seja definitivo está me sufocando. As palavras que se calam e a falta de vontade de continuar nesse caminho, estão sussurando: "Desista.". Mas o desejo de me tornar mulher e a tão fascinante transição que toda criança passa ao se tornar adulta, insiste: "Vá em frente.". Preciso construir metas e não posso mais voltar atrás.
O medo que me invade é a possibilidade de perder a menininha chata que sempre fui. Então recordo o passado e o passado me traz a lembrança do homem que seria o homem de minha vida. Seja lá qual for o destino traçado às nossas vidas. A minha memória gravou cada traço daquele rosto e o sorriso bonito continua sendo o único sorriso que mudaria o meu dia. Eu sinto saudades de mim, de mim com você.
As pessoas fazem conceitos sobre as minhas mágoas. Tenho a certeza de que ele também crê que eu o quero longe. Mas a verdade é que nunca o quis mais perto. Que o tempo não teve a capacidade de me deixar esquecê-lo. E que todas as noites eu peço com toda a fé que ainda me resta para que, se não for da vontade d'Ele, eu possa arrancá-lo de meu coração. Peço ainda, como fruto do meu egoísmo, para que ele seja feliz independente do motivo que o fará feliz. Porque meu bem-estar depende da felicidade das pessoas que amo. E o amo, ainda, ainda que não saiba mais se foi amor algum dia.
Sei que todos os dias ele também tira um tempinho para pensar em mim. Sei que ele gravou algumas palavras minhas naquela cabeça inconstante. E, eu sei, que ligações fortes entre duas pessoas não acabam em dias, meses ou anos. Dura, e vai durando até que se entenda e se aceite porque aquela pessoa não é para mim, ou que o destino dê um empurrãozinho e os dois finalmente se encontrem e possam firmar aqueles projetos de amor que nunca puderam se concretizar.
Dura porque dessa vida não se leva nada. E não levando o material, nós contruímos o abstrato bonito. Por mais que as pessoas tenham esta tendencia de rejeitar os sentimentos, a realidade é que a vida é feita do que se sente. E, por sentir, eu quero poder.
Sabe? A vida está exigindo que eu não sonhe, e eu sinto falta de sonhar com a possibilidade de morrer de amores. Eu sinto falta de tentar convencê-lo que há beleza em pequenas coisas, porque isto me fazia acreditar em mim.
E deve ser isto: Amar é poder acreditar. Acreditar na vida e acreditar em você.

sábado, janeiro 28, 2012

A.


"Mas esses tesouros não devem ser procurados, muito menos desenterrados. Nada de escavar o fundo do mar. Isso frustraria nosso objetivo. O mar não recompensa os que são por demais ansiosos, ávidos ou impacientes. Escavar tesouros mostra não só impaciência e avidez, mas também falta de fé. Paciência, paciência e paciência é o que nos ensina o mar. Paciência e fé. Precisamos nos deitar vazios, abertos e sem exigências, como a praia — esperando por um presente do mar."

— Presente do Mar, Anne Morrow Lindbergh

MEUS DIAS DE FÉRIAS SERÃO TEUS

As palavras emudeceram minha boca e tomaram minha mente. Abaixei a cabeça, peguei o lápis e comecei a escrever. Escrever sem pausas, sem olhar para os lados, escrever e escrever. Sentada no meio da sala, chamei a atenção do professor e alunos que observavam a colega estranha. Com voz cautelosa, o professor me interrompeu:
– Gabriella, está anotando minha explicação em seu caderno?
E com a voz de quem não suporta ser interrompida, respondi:
– Não. Estou escrevendo meu diário.
Foi quando entendi que o meu lugar era sempre a última carteira da fila. Sem chamar muita atenção.


Eu não entendo até que ponto você consegue enxergar meus sentimentos. Porém, é importante que você o saiba. Eu tive que largar a menininha mimada e superar barreiras para andar ao seu lado. Muitas vezes, quando não o fiz, você me encarou e deixou claro que eu não deveria agir com você da maneira que agiria com qualquer outra pessoa. Me fez amadurecer, olhar a vida, entender o que era a fé que existia dentro de mim, e – por isso – eu tentei ir embora algumas vezes.
Não é e nunca foi fácil ter que aceitar o quão imatura e tola eu me tornei por minhas atitudes. Não consegui aceitar o fato de que, muitas vezes, eu me perdi. E pedir-lhe desculpas por meus exageros foi perder o meu orgulho. – Eu nunca soube perder. – E tive que aprender que perder nem sempre significa derrota. Algumas vezes a perda é reflexo das marcas que ficam após ter tido uma grande experiência.
Você, e seus onze anos mais velho do que eu, mostrou-me que a maturidade não é questão de idade. Deixou-me entrar na sua vida e me fez baixar a guarda para que entrasse na minha. Apresentei ao pai, mãe, irmão e cunhada. Cuidei de seu filho e me intrometi nas vezes em que acreditei que houvera injustiça com aquela criança de cinco anos. Fui namorada, madrasta, amiga, conselheira e aluna. Fui sua, embora meu coração vivesse turbulências do passado.
Chorei. Derramei lágrimas como nunca haviam caído por outra pessoa. Cuidei, me preocupei, protegi e mudei. Eu mudei minha vida, minhas escolhas, minha cabeça e mudei à mim. Tudo o que era simples e feito dentro de mim, tornou-se rápido, pequeno e passageiro. As mudanças me fizeram colocar os pés no chão, aceitar as deficiências da vida e me preservar dos males que a impulsividade poderia me causar. Descobri que o amor, muitas vezes, é manter-se longe. E a frase “Você tem que aprender que existem pessoas que permanecem em seu coração, mas não em sua vida” nunca fez tanto sentido.
Te amar para sempre é o mesmo que ter um grande problema e achar que nunca irá resolvê-lo, pelo tamanho da confusão, pelo que se sente agora. O “aqui e agora” me traz a sensação de que a única pessoa pela qual eu tomaria veneno, como num romance, seria você. É você. Será você até que outro amor me faça achar algum motivo.
Eu quero que me perdoe por todas as vezes que não respondi suas gentilezas, por quando desisti de nós e tentei voltar ao meu amor antigo, pelas vezes que fui fraca, por quando precisei ser sincera e agi em meio às mentiras, por não ter tido coragem e, por julgar-te covarde, sendo ainda mais medrosa que você.
Quero que me dê seu perdão. Embora eu tenha certeza de que ele só virá com o tempo. E de que não terei muitas chances para mostrar que, apesar de parecer o contrário, eu lhe amo. Lhe amo. E sei que devo desculpas à todas as pessoas que enganei durante todo esse tempo.
Eu amo você com a doçura dos meus beijos, das mãos que lhe fazem carinho, do coração que é sereno ao seu lado, da vontade duradoura de casar-me e ter filhos, ser feliz, e passar longos dias de férias em sua companhia.
Não sou perfeita. Não sou a pessoa mais interessante, linda e fascinante do mundo. Sou cheia de defeitos, falhas e erros. Falo sem pensar, tomo atitudes e decisões precipitadas, corro atrás só quando já não é mais meu, e costumo me desfazer daquilo que gosto. Mas eu prometo mudar. Prometo com a única esperança que me resta de sorrir tranquilamente: você.
Porque eu estou sujeita a ser outra pessoa desde a primeira vez que me olhou nos olhos e disse: “Gostei do seu jeito.”. Eu tenho que dar o melhor de mim para merecer cada dia do nosso amor. E já não é desrespeitar aos meus desejos, ao meu jeito, meus ideais – é respeitar o que sinto.
O que sinto é simples e bonito, assim como as flores. É especial e único, assim como cada sorriso. É bobo e engraçado, assim como o palhaço. É triste e frio, assim como a solidão. É encantador e harmonioso, assim como a música. Está cada dia num lugar, mas continua o mesmo, assim como o ponteiro do relógio. E faz a vida parecer fácil, me dá forças, e eu tenho confiança nisto. O que sinto é Amor.
É o presente mais sagrado que Deus poderia me dar. Uma nova chance. Um amigo à quem compartilhar meus momentos de fraqueza. É com quem, se você permitir, quero passar o resto dos meus dias.
Meus dias de sol serão teus. E todos as histórias românticas eu dedicarei à você. Dessa vez, eu tenho um único compromisso em minha vida: te ver bem. O resto serão planos. E a única coisa que irá me satisfazer é saber que estamos juntos. Aqui, agora e para sempre.

ANNE - SHE'S THE WOMAN


Há meses que não o faço, acreditem. E foram raras as ocasiões que fiz isso: indicar algo. Não sou boa nisso, porque cada um tem um gosto. E, como eu tenho o meu, me frustro quando noto que as pessoas não gostaram daquilo que me faz bem. Mas – aí vai – uma indicação.
Se há uma mulher que eu admiro é Anne Morrow Lindbergh. Num simples trecho que contém na edição de 50º Aniversário do livro Presente do Mar, de 2005, sua filha Reeve Lindbergh, a descreve: “Lembro-me de como ela sempre parecia tão miúda e delicada. Lembro-me de sua inteligência e sensibilidade. Porém, quando releio Presente do Mar, a ilusão de fragilidade se esvai, revelando a verdade. Como pude me esquecer? Ela foi, afinal, uma mulher que criou cinco filhos depois de perder tragicamente o primeiro, em 1932. Foi a primeira mulher nos Estados Unidos a obter um brevê de piloto de planador de primeira classe, em 1930; a primeira mulher a conquistar a Medalha Hubbard da National Geographic Society, em 1934, por suas aventuras de aviação e exploração. Ela recebeu ainda o Primeiro National Book, em 1938, por Listen the Wind, romance baseado nessas aventuras, e permaneceu incluída na lista de mais vendidas por toda a vida.
Esquiou comigo em Vermont aos 65 anos, e fez longas caminhadas nos Alpes suíços aos 70. Cinco anos depois, passou a noite na cratera do vulcão Haleakala com alguns de seus filhos e amigos.
Eu me lembro de olhar para cima, para a grande abóbada celeste à noite, reluzente de estrelas, enquanto minha mãe, pisando firme em suas botas tamanho 35, apontava e identificava para nós o Círculo dos Navegadores, Capela, Castor, Pólux, Prócion e Sírio. Eram as estrelas das quais ela aprendera inicialmente a estabelecer um curso na escuridão, como aviadora pioneira, 50 anos antes.”.
Já dá para entender o motivo da minha admiração, não é? – Além disso, Anne, escreveu 12 livros (se não me engano) e tem histórias fascinantes como a viagem que fez com seu marido, o aviador Charles Lindbergh, pela África e o Pacífico para realizar pesquisas ambientais.
Mas todas essas informações vocês encontrarão nos livros e sites de pesquisa. E, se tiverem a oportunidade de ler um livro dela, não hesitem. Há muita sabedoria e experiência em cada palavra que ela escreveu.

quarta-feira, janeiro 18, 2012

A.

COMO DIZIA O POETA
Composição: Vinicius de Moraes e Toquinho


"Como dizia o poeta
Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu
Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não"

MEU SOL

Meu erro foi acreditar que o amor acontece durante a noite. O amor é durante o dia. Porque o sol é para sempre.


Tu deves entender os meus parênteses. Preste atenção naquilo que não lhe falo. Inquiete-se com o meu silêncio e não perca os meus olhos. É aqui que quero estar, menino. Sim. Sou desse tipo de gente que larga tudo para viver um romance. – Não se apegue demais as minhas palavras. – Eu as escrevo às vezes, e, às vezes elas me escrevem. – Eu não me importo com a pontuação, com a maneira certa de escrever a palavra ou formar a frase. Eu desenho nas letras o que está dentro da alma.
Você sabe, menino, que eu sou como macarrão instantâneo. Sabe que repito palavras, mas sei trocar os personagens. Sabe os pontos onde quero chegar e sabe que não possuo finais. Só não sabe ler as minhas entrelinhas. Entre-as-linhas, aos pouquinhos, eu vou registrando o teu nome. Teu nome que parece música e que com música eu canto o meu amor.
Faça-me o favor de não desistir de mim. Sou como essas mulheres que mudam conforme as mudanças da lua, mas ainda consigo encontrar teus lábios no escuro. Por isso, me escute, menino. Me ouça calar. Leia meus olhos, diga as minhas palavras, escute o meu silêncio. E permaneça ao meu lado.
Segure as minhas mãos com o mesmo nervosismo que eu seguro as tuas. Conte as pedras do caminho como se fossem pingos de chuva. Abra os braços para me abraçar e me abrace forte. Segure-me nos teus braços, menino. E não deixe que eu duvide da tua força.
Deixa que eu desvende os teus mistérios e guarde os teus segredos. Faça com que eu sufoque, a respiração trema e eu perca o fôlego. Faça-me arder na tua pele e tatua teus sinais no meu corpo. Mas não deixa que eu perceba o teu passado.
Posso despedaçar o seu coração ao saber por onde andou sem mim. Então, me acalme. Demonstre a tua fé em mim e não me encha de incertezas. Incerta e desconfiada eu já nasci. Distraia meus parágrafos e, por favor, me traga flores. Me traga céus, algodão-doce e amores.
Amores daqueles que eu possa respirar fundo e salvá-los em papéis. Amores que terão teu nome traduzido em nossa língua. Amores que soletrem a data do nosso encontro. Amores que não permitam nosso distanciamento. Amores que me amparem, que me sigam e que me criem.
Não preciso que as pessoas saibam que sou tua. Apetece-me somente que o teu corpo saiba disso. E que o sol brilhe quando estamos juntos. Porque, sabe, menino. Amor não é durante a noite. Amor é durante o dia. E o sol é para sempre.
[Sejamos sempre] o dia, o amor, e a esperança de que a morte não nos traia. Menino, eu adoro a vida que você trouxe à minha história. Eu necessito da tua existência e da beleza dos teus olhos. – Você é a minha luz agora. Não deixe que tudo se apague.

segunda-feira, janeiro 16, 2012

A.

O VELHO E A FLOR
Vinicius de Moraes


"Por céus e mares eu andei,
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber
O que é o amor.

Ninguém sabia me dizer,
Eu já queria até morrer
Quando um velhinho
Com uma flor assim falou:

O amor é o carinho,
É o espinho que não se vê em cada flor.
É a vida quando
Chega sangrando aberta
em pétalas de amor."

PERMANEÇA


Ninguém irá lhe entender como eu. E há um espaço vazio que fica aqui dentro quando você está longe. Mas não é hora de fraquejar. – Ontem à noite, senti vontade de pegar o telefone e ouvir a tua voz. No entanto, eu saberia que era uma vontade instantânea. Duraria até o momento em que a mágoa tomaria meu coração outra vez. E então sobraria o ódio, o desprezo, a raiva que suas palavras despertam em mim. Pois é isto que sobrou de você: saudade do que eu pensei que tu fosses e rancor das tuas escolhas.
Os enganos foram meus. Sempre meus. Eu soube quem tu eras desde o inicio e, ainda assim, uma parte de mim insistia em caminhar ao teu lado. Embora, ao teu lado, eu nunca estivesse.
Às vezes, tu eras um. Noutra vez, tu eras outro. E toda aquela contradição me feria. – Chorei lágrimas de sangue e permaneci calada. – Nunca contestei, nunca disse o que eu sentia, e nunca deixei de sentir. Nunca soube partilhar nada com você. Tu nunca foste meu ombro amigo. Quando ganhou minha confiança soube perder no exato momento.
E eu ainda não entendo onde, nem quando, mas em alguma parte da minha vida eu tive que aprender a filtrar as coisas. Nem todos merecem o meu sorriso, porque a maioria irá sentir inveja dos motivos pelo qual ele está em meu rosto. Nem todos merecem saber que as lágrimas estão caindo, porque grande parte das pessoas irão fazer com que caiam mais. Os problemas que são meus, são meus. As dúvidas que são minhas, são minhas. Posso estar rodeado de pessoas e continuar sozinho. Conta-se nos dedos aqueles que são verdadeiros. Existem pessoas que você poderá confiar e existem pessoas que só estão ali para aliviar a dor. Um espelho poderá se tornar um buraco quando não sabemos quem somos e temos vergonha daquilo que nos tornamos. É preferível o silêncio quando não há explicações para aquilo que dói. Você não poderá chegar ao ponto de ter pena de si mesmo, ali – é fim da linha. As pessoas que te olharem com dó, não irão mexer os dedos para que as coisas se resolvam. Palavras duram alguns momentos; Atitudes provam palavras, caráter, e poderão ser duradouras. A vida não é uma escada rolante, você tem que subir com seus próprios pés. E, como uma escada, você poderá subi-la e poderá descê-la. Tem que saber a hora e a direção dos degraus.
Eu perdi a direção. E acho que desci alguns muitos degraus. Não sei como voltar atrás e, por enquanto, o desejo é me manter parado. Outra coisa que a vida ensina é que você tem o direito de manter-se só, quieto, estável – mas o tempo continua, as pessoas caminham, as oportunidades acontecem, e, quando você está imóvel, pode perder o que conquistou.
Porém, é perdendo tudo que nós reconhecemos o que devemos ganhar. É necessário chegar ao fim do poço para saber d’onde é que vem a água que mata nossa sede. É preciso parar, dormir cedo, se alimentar melhor, ou, perder o sono, comer pouco, sentir a depressão ganhando suas veias para que possamos desistir do que é errado e ir atrás do que é certo.
Eu sou quem repete sete vezes em frente ao espelho: continue tentando, continue tentando, continue tentando, continue tentando, continue tentando, continue tentando, continue tentando. E agora que isto não está funcionando, sou quem rejeita o espelho e respira fundo. Sou quem dorme e tem o olho aberto. Sou quem precisa de um tempo. E que Deus permita este tempo à quem já errou tanto e sofreu com os erros alheios. Pois eu não tenho mais nenhum plano, se não, manter a calma.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

A.

OLHA
Chico Buarque
Composição: Roberto Carlos e Erasmo Carlos


"Olha!
Você tem todas as coisas,
Que um dia eu sonhei pra mim.
A cabeça cheia de problemas,
Não me importo.
Eu gosto mesmo assim...

Tem os olhos cheios,
De esperança.
De uma cor que mais,
Ninguém possui.
Me traz meu passado,
E as lembranças.
Coisas que eu quis ser,
E não fui...

Olha!
Você vive tão distante.
Muito além do que,
Eu posso ter.
Eu que sempre fui,
Tão inconstante.
Te juro meu amor,
Agora é pra valer...

Olha!
Vem comigo aonde eu for.
Seja a minha amante,
E meu amor.
Vem seguir comigo,
O meu caminho.
E viver a vida,
Só de amor..."